Hoje é dia de reflexão porque amanhã o país vai a votos. Mas hoje não quero pensar nem em políticos nem em partidos nem em gentinha que se apregoa defensores da pátria. Prefiro reflectir sobre aquilo que nos rodeia, na proximidade, nos nossos entes próximos. Esses são aqueles para quem eu tenho de ser o gestor e amigo, o defensor e protector, aqueles que em parte ou no todo dependem de mim.
Sendo sábado é dia de se ir ao mercado. Há sempre algo que precisamos para o consumo da casa. Eu não fui. A minha mulher foi ela, sozinha, enquanto eu ficava em casa, cuidando daquela que, estando acamada, precisa de nós a tempo inteiro. Não a preocupa eleições nem tão pouco ouve os políticos. Nada lhe interessa a não ser ter alguém a seu lado que a conforte, que a alimente, que lhe diga umas palavras sussurradas ao ouvido, palavras meigas, que lhe pegue um pouco na mão, que lhe faça umas festas. E eu, aproveitando o sol brilhante e o dia quente, fui pé ante pé até ao seu quarto. Dormia, calma, respirando suavemente. Abri um pouco as cortinas para que o sol entrasse um pouco ali naquele espaço. Fui te com ela e passei-lhe a mão pelo rosto. Abriu os olhos, fitos no vazio, sem fixar em nada. Conversei com ela. Não um diálogo mas um monólogo, um monólogo de palavras ditas calmamente, em tom suave, sem pressas. Peguei-lhe na mão para ela me sentir ali, para se sentir segura. Não falou comigo. Não olhou para mim. Não sorriu sequer enquanto eu esperava que a sua expressão mostrasse alguma vida, alguma forma de me demonstrar que me tinha reconhecido. Apenas um ligeiro aperto da mão. Mas é quanto me basta, senti-la ali, saber que, mesmo que de uma forma instintiva, ela sabe que aquela mão a protege, a segura a acarinha e cuida dela. E fiquei longos minutos ali, reflectindo, enquanto segurava aquela mão e ia falando calmamente para ela, no valor que a vida tem, no valor que lhe não damos e no valor que ela toma quando vamos definhando.
Estamos todos empenhados num futuro. Alguns, claro, que outros estão descontraídamente à espera que outros resolvam por eles. Amanhã vamos, cada um segundo o seu desejo, actuar na esperança de uma vida melhor. Nós temos o direito de escolher. Mais, temos o dever até. E, muitos que têm este poder não o exercem, não querem saber.
E aqueles que, não podem escolher, que nem sequer conseguem manifestar o seu desejo, que vivem em função da mão que lhes dá o suporte de vida que não conseguem por si, aqueles que são integralmente dependentes? Provávelmente, se todos passassemos por um estado destes, mudaríamos a nossa forma de estar, de viver, de pensar e olharíamos a vida com outros olhos.
Porque, se pensarmos um pouco, e não será preciso muito, chegamos à conclusão que a vida é o melhor bem que podemos ter. Saibamos usá-la... com inteligência.
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